A passagem de ano é, para muitos humanos, sinónimo de celebração, esperança e novos começos. Mas para milhões de animais – domésticos, selvagens e explorados pela agropecuária – o início do novo ano é marcado por medo extremo, stress e sofrimento.
Os fogos de artifício sonoros podem durar apenas alguns minutos, mas o seu impacto prolonga-se muito para além da meia-noite.
Quando a festa é pânico
Os ouvidos dos animais são muito mais sensíveis do que os nossos. Sons súbitos, intensos e imprevisíveis, como explosões, são percecionados como ameaças imediatas.
Todos os anos, multiplicam-se os relatos e os vídeos:
- cães e gatos que fogem em pânico, se magoam, desaparecem ou morrem;
- animais selvagens que abandonam ninhos, colidem durante fugas desorientadas ou não conseguem regressar às suas crias;
- animais de quinta que entram em stress agudo – sem qualquer possibilidade de escapar.
Isto não é um efeito colateral inesperado.
É um impacto conhecido, estudado e repetido ano após ano.
Os fogos de artifício não afetam apenas os animais. Afetam também pessoas com hipersensibilidade sensorial, crianças no espectro do autismo, idosos, bebés e pessoas com stress pós-traumático.
Tradição ou escolha?
O argumento da “tradição” é frequentemente usado para justificar esta prática. Mas o barulho não é inevitável – é uma escolha.
E uma escolha que tem custos reais:
- sofrimento animal evitável;
- riscos para a saúde pública;
- feridos, incêndios e mortes humanas;
- milhões de euros em danos materiais pagos por todos.
A Holanda mostrou que é possível mudar
A Holanda aprovou uma proibição nacional da venda e uso de fogos de artifício por consumidores, que entrará em vigor na passagem de ano de 2026 para 2027. A decisão surge após anos de debate e pressão de médicos, forças de segurança, bombeiros, cientistas e defensores do bem-estar animal.
As explosões barulhentas foram reconhecidas como uma das principais fontes de stress para animais domésticos e vida selvagem – além de um risco sério para pessoas e serviços de emergência.
A última passagem de ano antes da proibição voltou a demonstrar porquê: acidentes fatais, centenas de feridos, violência e incêndios, incluindo a destruição de uma igreja histórica em Amesterdão.
A mudança não elimina a celebração – redefine-a.
Celebrar sem causar medo
Em várias partes do mundo, já existem alternativas verdadeiramente celebratórias, inclusivas e seguras:
- espetáculos de drones, como os que iluminaram os céus de Xangai ou dos Emirados Árabes Unidos;
- jogos de luz, lasers, música e projeções visuais;
- eventos comunitários que não dependem do ruído para criar emoção.
Estas soluções provam que é possível celebrar o futuro sem continuar a causar sofrimento no presente.
Um futuro que inclua todos
Celebrar o início de um novo ano deveria ser um gesto de esperança. Mas essa esperança perde o sentido quando custa vidas – humanas e não humanas.
Talvez esteja na altura de perguntar:
Que tipo de futuro estamos a celebrar se continuamos a ignorar quem não tem voz para fugir?
Que 2026 seja um ano de mais empatia, mais consciência e mais coragem para escolher diferente.
Feliz 2026 a todas e todos os leitores do UniPlanet – que seja um ano mais justo e mais compassivo para todos os seres que partilham este planeta connosco. 🌍
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