Mais de 350 animais morreram carbonizados nos últimos dias numa exploração pecuária em Portugal, uma tragédia que se repete todos os anos e que poderia ser evitada com medidas concretas. A denúncia é feita por Inês Sousa Real, porta-voz do PAN – Pessoas-Animais-Natureza, que exige a inclusão dos animais nos planos de proteção civil e a criação de equipas de socorro animal em contexto de incêndios.

“Todos os anos acontece o mesmo. Milhares de animais morrem de forma agonizante, sem que sejam implementadas medidas de proteção que o PAN tem vindo a defender”, lamenta a deputada.

O partido afirma que continuará a insistir nestas propostas quando os trabalhos parlamentares forem retomados. Inês Sousa Real deixa ainda um alerta à população:

“Por favor, não deixem os animais acorrentados. Seja pela exposição ao fumo ou pela impossibilidade de fugir, dificilmente irão sobreviver.”

Uma história que não teve um final feliz

Entre os episódios mais marcantes destes últimos dias está o do Duque, um cão encontrado acorrentado no meio das chamas, em Vila Ruiva. O Guarda Aragão, da GNR, arriscou a vida para o resgatar, num gesto de enorme coragem e compaixão.

Apesar dos esforços, o Duque não resistiu aos ferimentos e acabou por falecer.

“Não deixem os animais acorrentados. Se não for possível levá-los convosco, libertem-nos pelo menos das correntes. Não os deixem para trás, sujeitos a morrer em profunda agonia”, apela Inês Sousa Real.

Tragédias que se repetem

Em 2020, dezenas de cães e gatos morreram carbonizados num abrigo em Santo Tirso, também por estarem presos e sem hipótese de fuga. Apesar das tentativas de voluntários e associações de proteção animal, as autoridades impediram o acesso, alegando tratar-se de propriedade privada. O caso foi denunciado ao Ministério Público.

“A violação do dever de cuidado e socorro pode configurar crime contra animais de companhia, se resultar sofrimento injustificável ou a sua morte”, alertava então o PAN.

É preciso adaptar o território

“A Europa terá de aprender a viver com o fogo e adaptar-se”, avisa o Prof. Thomas Elmqvist, no novo relatório da EASAC – Academia Europeia de Ciências.

O relatório aponta soluções para tornar a Europa mais resiliente ao fogo. Entre as mais relevantes para Portugal estão:

  • Integrar o risco de incêndio na política de biodiversidade e reflorestação – evitando plantações de espécies vulneráveis ao fogo.
  • Educar para uma sociedade mais preparada, promovendo a literacia do fogo desde cedo nas escolas.
  • Restaurar paisagens naturais com espécies autóctones e técnicas como o pastoreio controlado.
  • Reduzir o combustível vegetal através de queimas prescritas e gestão ativa do território.
  • Apoiar o uso sustentável da terra com incentivos ao manejo agroecológico e combate ao abandono rural.
  • Reforçar a cooperação entre setores (agricultura, ambiente e urbanismo) para reduzir o risco de incêndios na interface urbano-florestal.

“A resposta não pode ser só apagar fogos. É preciso investir em prevenção, resiliência e mudança cultural“, conclui o relatório.

Todas as vidas contam

O PAN insiste na urgência de reconhecer os animais como parte da comunidade que deve ser protegida em cenários de emergência.

“Ainda este mês voltamos a apresentar iniciativas para a inclusão dos animais nos planos de proteção civil e a criação de equipas de socorro animal”, assegura Inês Sousa Real.

Que nenhuma vida seja deixada para trás.

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Última atualização: 29 Novembro 2025