A música medieval, a recriação histórica e a fantasia encontram-se num novo projeto nascido em Penela. Os Vulpes são um grupo de música e animação medieval criado por três jovens músicos que cresceram ligados à Feira Medieval de Penela e que decidiram transformar esse interesse numa aventura musical.

Com máscaras de raposa, instrumentos tradicionais, repertório medieval e muita interação com o público, o grupo tem percorrido já diferentes feiras e eventos em Portugal, levando consigo uma interpretação própria deste universo.

O UniPlanet falou com Miguel Sousa, que nos apresentou o projeto, para conhecer melhor a história dos Vulpes, a sua relação com a música medieval, o processo de recriação histórica e os planos para o futuro.

UniPlanet (UP): Para quem ainda não conhece os Vulpes, como nasceu este projeto e qual foi a inspiração para criar um grupo de música e animação medieval?

Os Vulpes são um grupo de música e animação dentro do estilo de folk medieval que participa em eventos de recriação histórica. Este projeto surgiu da iniciativa de três jovens que, desde pequenos, participam na feira medieval da sua terra, Penela.

UP: O nome “Vulpes” remete imediatamente para a raposa. Porque escolheram este animal para representar o grupo? 

O nome “Vulpes” vem do nome científico da raposa vermelha (Vulpes vulpes). A raposa é um animal muito presente nas lendas e fábulas medievais da Europa e, para além disso, é conhecida por ser muito astuta, perspicaz e curiosa. Decidimos, por isso, aproximar a nossa imagem deste animal, por representar bem a nossa identidade.

UP: As vossas máscaras chamam imediatamente a atenção. Como surgiu a ideia de utilizarem máscaras de raposa com chifres e guizos? Existe algum significado por detrás desse visual?

Para além de nos querermos aproximar ao visual da raposa, escolhemos introduzir chifres e cornos nas nossas máscaras para remeter ao mundo da fantasia, criando assim um híbrido do imaginário que nos diferencia de qualquer outro grupo. Os guizos são apenas um elemento inserido nas máscaras para chamar a atenção de quem nos vê passar.

UP: Cada elemento do grupo toca vários instrumentos tradicionais. Como foi o vosso percurso musical e o que vos levou a interessarem-se pela música medieval?

Desde novos que ingressámos na academia de música da Sociedade Filarmónica Penelense, seguindo estudos mais tarde no Conservatório de Música de Coimbra. Utilizando todas essas bases, e uma vez que sempre nos interessámos por este mundo, decidimos explorar as sonoridades da gaita de foles, das flautas irlandesas, do bouzouki e da percussão para dar vida a este projeto.

UP: Como escolhem o repertório? Procuram recriar música medieval autêntica ou preferem fazer interpretações mais livres inspiradas nessa época?

Neste momento, interpretamos música autêntica do período medieval, bem como música de inspiração medieval, mas sempre com a nossa “pegada artística”. No futuro, pretendemos ter o nosso repertório, de forma a criar uma identidade musical própria.

 

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UP: As atuações dos Vulpes vão muito além da música. Há uma forte componente de animação e interação com o público. Que importância atribuem a essa proximidade?

No contexto de feira e festa dos eventos que frequentamos, a componente da animação e interação com o público é para nós um elemento essencial na performance, de forma a criar uma maior envolvência com os nossos espectadores, proporcionando-lhes uma experiência única de folia.

UP: Ainda são um projeto recente, mas já passaram por eventos como Penela, Rabaçal, Tomar, Esgueira, Montemor-o-Novo e Coimbra. Como tem sido este início de aventura?

Somos um grupo que iniciou a atividade em maio deste ano, pelo que foi uma agradável surpresa para nós já termos tido a oportunidade de participar em diversas feiras e de trabalhar com diversas entidades. É importante realçar que tivemos a ajuda de um grupo conterrâneo de música medieval, os Porta da Traição que nos orientaram, e nos dias de hoje ainda nos ajudam neste percurso.

UP: Qual foi o maior desafio desde que criaram o grupo?

Até ao momento, o maior desafio que enfrentámos foi ter de lidar com imprevistos que acontecem, como ter um problema no instrumento durante uma atuação, tentando não transparecer ao público a nossa aflição. O chamado “The show must go on!”.

UP: A recriação histórica está cada vez mais presente em Portugal. Na vossa opinião, estes eventos ajudam a aproximar o público da História ou são sobretudo uma forma de entretenimento?

Para nós, a relação próxima entre o entretenimento e a recriação histórica é de extrema importância, não só para cativar o público, como para o educar acerca dos costumes e vivências do passado.

UP: O que aprenderam sobre a Idade Média através deste projeto que mais vos surpreendeu?

O que mais nos surpreendeu foi perceber como a música estava presente no quotidiano medieval e como existia uma grande troca cultural entre diferentes regiões. A música, os instrumentos e as tradições circulavam e eram adaptados, estando presentes não só nas cortes e igrejas, mas também em festas, procissões, danças e momentos de convívio.

UP: Há algum instrumento medieval ou tradição musical antiga que gostassem de explorar no futuro?

O nosso projeto baseia-se na tradição musical antiga, contudo utilizamos instrumentos e conhecimento atuais para atingir esse fim, uma vez que os instrumentos antigos apresentam as suas limitações e o conhecimento musical atual dá-nos mais liberdade artística para a realização de uma boa performance.

UP: Como é o processo de preparação antes de cada atuação? Há muito trabalho invisível por detrás dos espetáculos?

Antes do começo da época das feiras medievais houve todo um trabalho de preparação, desde a pesquisa musical à criação e ensaio dos espetáculos. Iniciámos esta preparação em novembro do passado ano de 2025 para nos estrearmos na Feira Medieval de Penela, realizada em maio de 2026.

UP: Se pudessem atuar em qualquer castelo ou festival histórico da Europa, qual escolheriam?

De momento temos a grande ambição de atuar nas feiras mais emblemáticas do nosso país, como é o caso da Viagem Medieval em Terras de Santa Maria e do Mercado Medieval de Óbidos. Eventualmente, gostaríamos de ter a oportunidade de participar em eventos fora do país, visto que também somos jovens com energia e vontade de conhecer novas realidades.

UP: Que projetos têm para o futuro? Podemos esperar novas personagens, novos instrumentos ou novas composições?

Essencialmente, pretendemos criar um repertório musical de temas originais nossos. A nível estético, iremos continuar a querer preservar a nossa identidade de raposas, podendo acrescentar novos visuais para introduzir alguma variedade na nossa aparência.

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Última atualização: 18 Agosto 2026